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Radiohead no Brasil: Um sonho prestes a se concretizar!


     



"Anyone Can Play Guitar" e "Creep" (assistam ao vídeo), do álbum Pablo Honey de (93), o primeiro da discografia do Radiohead, chamou a minha atenção (Cadhu Cardoso) para o trabalho de uma banda que se tornaria uma das mais cultuadas e celebradas dos últimos anos. Na época, eu tinha 17 anos e vivia com os meus contemporâneos o auge do movimento grunge , liderado pelo louco e rebelde Kurt Cobain. A moda do estilo fazia com que, insanamente, usássemos roupas de flanela em um verão com temperatura de 42 graus.

O final do líder do Nirvana todos sabem, mas aí eu pensei. "Poxa, qual será o futuro do Rock and Roll?" O tempo passou. Eu fiquei mais velho e vi que a boa música era muito mais... Aprendi a respeitar coisas que antes considerava farofa. Fiquei fã de Jazz e de blues. Eu me aproximei das nossas raízes com a MPB, Bossa Nova e com o samba. Mas continuei acompanhando de perto o grupo de Oxford (Inglaterra). A banda era formada pelo esquálido, genial e caolha Thom York e por mais mais quatro amigos: Ed O"Brien (guitarra), John Greenwood (guitarra e teclados), Colin Greenwood (baixo) e Phil Selway (bateria). Eram todos também de Oxford, e eles, com sua música, me mostravam o novo direcionamento que o estilo tomava, impulsionado pelas mudanças tecnológicas.

As letras das canções se prendiam principalmente à rebeldia. No auge da adolescência eu me identicava bastante com elas. Em 95, os caras lançaram The Bends. O cd era composto por músicas melancólidas, tristes e carregavam uma densidade melancólica. Mas eram belíssimas e com letras profundas, que me fizeram para pensar na vida. Estava prestes a completar 20 anos. Então, as comparações do trabalho do grupo britânico com a música feita por Jeff Buckley e Pink Floyd foram inevitáveis. Mas não achei isto demérito. Afinal, Jeff e Pink Floyd sempre foram referências. Deste álbum, saíram 3 clássicos: "Just", "High & Dry" (inexplicavelmente, detestada por Thom), além da obra-prima "Fake Pastic Trees", cuja letra relata a insistência de tantas pessoas que querem ser o que não são e acham, ingenuamente, que com dinheiro podem ter tudo. Isso tudo é dito, tendo ao fundo uma belíssima melodia.

                                       A obra-prima chamada Ok Computer

O fechadão vocalista Thom já sobressaía frente aos demais de sua geração. Pensei eu: "Será que estes músicos ainda conseguem se superar?" E eles conseguiram. Lançaram então o inigualável Ok Computer, em 97 e mais uma vez me perguntei: Onde um artista (Thom) consegue alcançar tal grau de genialidade? De que forma seus colegas de banda têm condições de comporem músicas e melodias tão sublimes que se casem perfeitamente com as letras? O álbum é tão magnífico que seriam necessárias linhas e linhas para descrevê-lo. Sugiro que ouçam "No Alarms", "Karma Police" (Polícia do Karma, até de religião os caras falam ) e "Let down" pelo menos três vezes. Em cada uma das canções, irão perceber detalhes como as variações na melodia, a densa carga de melancolia e o cuidado na construção das estrofes, dos refrões, dos riffs, as distorções e ver que é possível fazer poesia na música Pop. "Parnoid Android" com os riffs de guitarra de Johny Greenwood, e a voz melodiosa e poética de líder da banda Thom Yorke sintetizam perfeitamente isso.

     
Dois anos mais tarde, o Radiohead volta à praça com o trabalho intitulado KD A. Acredito eu que os caras ficaram meio fora de órbita depois de terem sido comparados ao Pink Floyd. Isto foi fruto das inovações que estavam trazendo para a música. Eram capazes de aliar a tecnologia que varria os estudios e o mundo, com muita musicalidade. Mas do cd Kid A, sinceramente não gostei. Afinal, os componentes da banda deixaram de lado as guitarras e mergulharam para valer na música eletrônica. Fiquei com muita raiva. "Os caras têm que parar com essa de experimentalismo! Deve ser mais uma invencionice deste Thom. Todo gênio é maluco", digo eu. O álbum foi avaliado por boa parte da crítica especializada de todo o mundo como experimental e/ou tedioso. Eu concordo plenamente.

E não é que os caras nem se preocuparam com todo o alarde de fãs e jornalistas? Jogaram "Amnesiac", álbum seguinte, com faixas das sobras de Kid A no mercado. A única coisa positiva, segundo o os críticos ingleses, é que este álbum trazia de volta as guitarras. Mas vi que aqueles que foram vanguarda um dia, tinham seguido outro caminho. Porém, outra vez me surpreendi com eles. O sexto álbum "Hail the thief" (Salve o ladrão), uma alusão ao Presidente norte-americano George Bush, ficou de primeira. Do repertório apresentado, destaque para a música "2 + 2 = 5", logo no início do disco. Ela me remeteu ao passado glorioso da banda. Não estou falando do meu Fogão e sim dos ingleses de Oxford. O título da letra da música do cd produzido com Nigel Godrich, figura constante na produção dos cds do quinteto, era uma forma de sintetizar os diversos estilos que somaram e enriqueceram a música do grupo durante estes 15 anos de carreira.

Lembro-me, com alegria, da reação entusiamada que tive ao ouvir o cd, dada pela minha namorada e ver que eles tinham voltado às suas raízes, embora não de forma radical. Por fim, lançaram In Rainbows: o último trabalho. Destaque para "House of cards". É uma balada que começa com um discurso bem direto. "Eu não quero ser seu amigo,apenas quero ser seu amante." E um atmosfera lisérgica vai tomando conta da canção.

Surpreenderam a todos mais uma vez. Colocaram no mercado um álbum de qualidade e de primeira. Disponibilizaram-no pela Internet e permetiram que cada um pagasse o quanto achasse que valia. Mesmo assim, mesmo não estando mais subordinados à gravadora EMI (montaram sua propria gravadora), tiveram um baita lucro. O que foi merecido! Quem pode pode, diriam os mais velhos. E eu quero ver, em 20 de março deste ano, se eles podem mesmo: Ao vivo, aqui no Rio, na cara do gol, frente a frente a mim e a todos os seus milhares de fãs que lá estarão.

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Fotos: Divulgação

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